{"id":21867,"date":"2026-08-15T22:48:57","date_gmt":"2026-08-16T01:48:57","guid":{"rendered":"https:\/\/roteiroscariocas.com.br\/index.php\/2026\/08\/15\/santa-cruz-traz-o-reino-do-daome-e-suas-guerreiras-para-o-carnaval-2027\/"},"modified":"2026-08-15T22:48:57","modified_gmt":"2026-08-16T01:48:57","slug":"santa-cruz-traz-o-reino-do-daome-e-suas-guerreiras-para-o-carnaval-2027","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteiroscariocas.com.br\/index.php\/2026\/08\/15\/santa-cruz-traz-o-reino-do-daome-e-suas-guerreiras-para-o-carnaval-2027\/","title":{"rendered":"Santa Cruz traz o Reino do Daom\u00e9 e suas guerreiras para o Carnaval 2027"},"content":{"rendered":"<p>A Acad\u00eamicos de Santa Cruz lan\u00e7ou oficialmente, neste s\u00e1bado, durante sua tradicional feijoada, o enredo que levar\u00e1 \u00e0 Avenida no Carnaval 2027.<\/p>\n<p>Com o t\u00edtulo &#8220;Daom\u00e9, a Esparta Negra das Agoji\u00ea&#8221;, a agremia\u00e7\u00e3o contar\u00e1 a hist\u00f3ria do antigo Reino do Daom\u00e9, atual Benim, destacando a for\u00e7a, a coragem e a resist\u00eancia das Agoji\u00ea, o lend\u00e1rio ex\u00e9rcito feminino do reino.<\/p>\n<p>O enredo prop\u00f5e uma celebra\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria africana e da pot\u00eancia das mulheres negras, al\u00e9m de estabelecer conex\u00f5es entre a heran\u00e7a do Daom\u00e9 e manifesta\u00e7\u00f5es culturais e religiosas presentes na di\u00e1spora africana no Brasil.<\/p>\n<p>A festa contou com a participa\u00e7\u00e3o especial da coirm\u00e3 S\u00e3o Clemente e reuniu comunidade, convidados, segmentos da escola e profissionais da imprensa carnavalesca.<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o da Santa Cruz para o Carnaval 2027, quando a escola retorna \u00e0 Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed com um desfile marcado por for\u00e7a, ancestralidade, identidade e emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Enredo: DAOM\u00c9, A &#8220;ESPARTA NEGRA&#8221; DAS AGOJI\u00ca<\/strong><\/p>\n<p><strong>Justificativa:<\/strong><\/p>\n<p>O Gr\u00eamio Recreativo Escola de Samba Acad\u00eamicos de Santa Cruz sa\u00fada em honra a &#8220;Grande M\u00e3e&#8221; para carregar em seus bra\u00e7os toda a for\u00e7a ancestral que dela emana. Lan\u00e7a o seu olhar para a nossa origem e matriz identit\u00e1ria como um guia para enxergar a beleza e nobreza de que somos feitos. Em uma esp\u00e9cie de ritual de gratid\u00e3o clama &#8220;AX\u00c9 OD\u00d5&#8221;. Invocando o poder purificador e renovador das \u00e1guas para buscar paz, equil\u00edbrio, harmonia e prosperidade para o seu desfile. Faz assim a travessia inversa da Calunga para resgatar uma hist\u00f3ria perdida no tempo para al\u00e9m do porto de dores e agonia e de tantas partidas sem retorno.<\/p>\n<p>Ventos vindos da costa da \u00c1frica Ocidental do poderoso reino do Daom\u00e9 sopram a inspira\u00e7\u00e3o e nos trazem uma hist\u00f3ria incomum que guarda a ess\u00eancia e o poder do sagrado feminino. Esse reino expandiu suas fronteiras e incorporou outras na\u00e7\u00f5es, fundindo a sabedoria do povo Fon com outros matizes \u00e9tnicos que l\u00e1 se mesclaram, pincelando diferentes culturas que fazem parte de nossa forma\u00e7\u00e3o. Essa heran\u00e7a diversa vai colorir a avenida com seus tons. O pante\u00e3o dos Voduns, unindo o sagrado e o mundano, vai iluminar os nossos caminhos para revelar uma saga de coragem, fidelidade, organiza\u00e7\u00e3o, corporativismo, irmandade, ren\u00fancia, resili\u00eancia e principalmente de resist\u00eancia nunca antes testemunhada.<\/p>\n<p>Apresentaremos uma &#8220;Esparta Negra&#8221;, formada por felinas defensoras de seu cl\u00e3. Um ex\u00e9rcito extraordin\u00e1rio de mulheres que lutaram e morreram sem medo pelo seu povo defendendo a soberania de um reino que acreditava que elas poderiam ocupar espa\u00e7os de poder em igualdade com o homens. Nosso samba faz rever\u00eancia e tenta buscar no legado deixado pela trajet\u00f3ria das Agoji\u00ea, as guerreiras do Daom\u00e9, a for\u00e7a para conduzir nossa passagem para ressaltar o que ainda ressoa em nossa alma e que nos transporta para o colo de todas as &#8220;grandes m\u00e3es&#8221;, mantenedoras do conhecimento ancestral. Que nosso canto seja um reconhecimento e uma forma de agradecimento \u00e0 semente que plantaram em nosso solo. &#8220;AG\u00d4 NU KWE&#8221;. Pedimos respeitosamente licen\u00e7a e passagem ao poder que elas derramam usando a express\u00e3o lit\u00fargica do nosso Candombl\u00e9 originada nos dialetos da fam\u00edlia lingu\u00edstica Gbe como uma defer\u00eancia aos nossos ancestrais e divindades.<\/p>\n<p><strong>Sinopse:<\/strong><\/p>\n<p>Que abram-se as alas de nossa origem africana, que os olhos se voltem para alma que \u00e9 chama. A for\u00e7a e a coragem de resistir e reexistir, com bravura insana, vem do materno ventre que emana a grandeza e a nobreza que ela alcan\u00e7a: a saga no sangue que carregamos nas veias de orgulho e heran\u00e7a.<\/p>\n<p>Vai o samba que nos agita e nos inflama ao refluxo do grande mar de agruras, das vagas antepassadas que um dia se fizeram conjura de dor e agonia na travessia da Calunga. Vai, como o toque de Aluj\u00e1, a justi\u00e7a navegante em manifesto, \u00e9 o presente \u00e0 revisar o passado de uma hist\u00f3ria apagada, mas que ainda \u00e9 esbo\u00e7ada em vozes submersas no tempo do glorioso Reino do Daom\u00e9.<\/p>\n<p>Deixe-se espraiar no seio dessa terra, no derradeiro cais que agora abra\u00e7a o mesmo porto, de onde um dia, muitos n\u00e3o regressaram jamais. Ou\u00e7am das bocas que hoje cantam e contam hist\u00f3rias de ouvir contar a sina que se espelha nos olhos vigilantes de nossas m\u00e3es destemidas que, como um farol, espalham e iluminam, sobre os filhos dessa terra, falange protetora a exibir as garras felinas, como panteras de uma &#8220;Esparta Negra&#8221;. Fi\u00e9is guardi\u00e3s do rei e de seus dom\u00ednios, mulheres de poder e de bravura, entrincheiradas sob o manto do respeito e coroadas de sororidade, reinando igualmente nesse peda\u00e7o de \u00c1frica.<\/p>\n<p>Eis aqui o Reino do Daom\u00e9, do povo &#8220;Fon&#8221;, matriz de primazia, que se mesclou na pele de &#8220;Ewes&#8221; e &#8220;Aj\u00e1s&#8221;, de aura espiritual latente, do mito da cria\u00e7\u00e3o, envolto na magia do seu Pante\u00e3o. Lar ancestral dos Voduns, elos sagrados atando a corrente entre o mundo vis\u00edvel e invis\u00edvel. C\u00e9u e Terra, \u00c1gua, Ferro e Fogo da guerra, da saga e do caminho desse reino imponente, feito de toda gente, de beira mar, Uid\u00e1, Mina Jej\u00ea, da savana, Mahi e al\u00e9m, tentando em v\u00e3o se expandir at\u00e9 Oy\u00f3, dinastia de Xang\u00f4 Ob\u00e1 assentado ao trono do trov\u00e3o da Na\u00e7\u00e3o Iorub\u00e1 Nag\u00f4. S\u00e3o entes encantados, antepassados, manifesta\u00e7\u00e3o de f\u00e9 a selar o destino de ren\u00fancias e celibato dessas bravas guerreiras ao ungir suas cabe\u00e7as como &#8220;Mulheres Rei&#8221;, revestidas de coragem, de cora\u00e7\u00e3o duro e valente, mas em que ainda h\u00e1 no fundo ardente materno a determina\u00e7\u00e3o para cumprir o destino de seguir a luta sem medo de m\u00e3os armadas, com olhos astutos e \u00e1gil instinto de m\u00e3es leopardo, prontas \u00e0 defender seu cl\u00e3.<\/p>\n<p>Essas guerreiras representam uma realidade crua, que deve ser vista n\u00e3o com o olhar de julgamento, mas com a consci\u00eancia de que defendiam aquilo que se fazia necess\u00e1rio pela sobreviv\u00eancia, pela lealdade ao seu lugar e o entendimento de que eram pr\u00e1ticas adotadas por todos os povos da grande &#8220;Terra dos Afris&#8221;, antes mesmo das invas\u00f5es coloniais.<\/p>\n<p>As AGOJI\u00ca, foram mulheres que lutaram por uma causa, que renunciaram muitos de seus direitos naturais, que viveram e morreram por sua na\u00e7\u00e3o. As que sobreviveram tiveram que reconstruir suas vidas, algumas, depois da derrota para o poderio b\u00e9lico europeu, experimentaram atravessar o portal do &#8220;Cais da Despedida&#8221; e cruzaram o mar rumo ao desterro e ao desconhecido novo mundo. Levavam consigo sua bravura e sua f\u00e9, e sem d\u00favida se tornando inspira\u00e7\u00e3o para tantas outras mulheres em todas as linhas do tempo de nossa hist\u00f3ria distorcida. Elas deveriam ser retratadas como uma mem\u00f3ria que ainda ressoa nas lutas contempor\u00e2neas por reconhecimento do poder das mulheres.<\/p>\n<p>Traz\u00ea-las \u00e0 luz da representatividade e de um olhar para o sagrado feminino que elas carregavam na alma, as devolve a verdadeira face por tr\u00e1s da conduta impass\u00edvel e endurecida das lutas corpo a corpo, e as revela, em sua ess\u00eancia, impregnadas de suas cren\u00e7as, saberes e pr\u00e1ticas rituais que promoviam a manuten\u00e7\u00e3o da circularidade do conhecimento inerentes \u00e0s sociedades matriarcais de coopera\u00e7\u00e3o e irmandade. Devemos enxerg\u00e1-las inseridas em uma cultura rica que sempre reverenciou o respeito \u00e0 ancestralidade e com uma profunda conex\u00e3o com a natureza e seus mist\u00e9rios. Entend\u00ea-las no emaranhado de influ\u00eancias das diferentes etnias que formavam a pluralidade do povo do Daom\u00e9 nos faz perceber uma identifica\u00e7\u00e3o imediata com o que trazemos em n\u00f3s como na\u00e7\u00e3o, que bebeu dessa fonte em sua forma\u00e7\u00e3o. Nos reconhecermos nelas as coloca num lugar de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, as devolve para o patamar de precursoras das nossas lutas, nos inspira a contar que aquilo que se tenta saquear e sequestrar da identidade de um povo permanece como um tecido vivo que se tece ao longo do tempo, ecoando em vozes descendentes que se mant\u00e9m no presente tamb\u00e9m como guardi\u00e3s dessa mem\u00f3ria ancestral.<\/p>\n<p>Louvamos nesse enredo as &#8220;Grandes M\u00e3es Leopardo&#8221; que ainda defendem seus ideais e seus cl\u00e3s desde a di\u00e1spora. &#8220;Mulheres Rei&#8221; que reinaram e ainda reinam em seus &#8220;Quilombos&#8221;, &#8220;Pequenas \u00c1fricas&#8221;, onde defendem sua cultura, sua f\u00e9 e seus direitos, com a mesma bravura e com as mesmas ren\u00fancias por uma causa coletiva. Salve essas &#8220;Panteras Negras&#8221; de todas &#8220;Espartas&#8221; que a desigualdade mundo afora fez criar.<\/p>\n<p>Viva a Santa Cruz por defender sua origem, proteger sua &#8220;Pequena \u00c1frica&#8221; e honrar a sua &#8220;Grande M\u00e3e&#8221;! &#8220;Lembrar para jamais esquecer&#8221;. Que nosso samba seja feito em rever\u00eancia para que elas desfilem nessa avenida, com todo poder que delas emana.<\/p>\n<p><em>Carnavalesco: Alexandre Louzada<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escola lan\u00e7a enredo sobre as Agoji\u00ea durante feijoada com muita hist\u00f3ria e ancestralidade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21866,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-21867","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ouro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteiroscariocas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21867","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteiroscariocas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteiroscariocas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteiroscariocas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteiroscariocas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21867"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteiroscariocas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21867\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteiroscariocas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21866"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteiroscariocas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21867"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteiroscariocas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21867"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteiroscariocas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21867"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}