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Deusa Da Passarela

Em um ensaio de impacto, a Beija-Flor assumiu a Sapucaí como terreno de ancestralidade e força comunitária rumo ao bicampeonato

Quando a Beija-Flor entrou na Marquês de Sapucaí para seu ensaio técnico em 2 de fevereiro de 2026, ninguém poderia imaginar um início mais simbólico: saudar Iemanjá logo de cara foi mais do que gesto de fé — foi declaração de identidade. Escolher o Dia de Iemanjá para expor essa conexão ancestral deixou claro desde o princípio que a escola não estava ali para apenas cumprir um roteiro técnico, mas para afirmar um encontro profundo entre religiosidade, cultura afro-brasileira e a potência do samba.

O enredo Bembé, que gira em torno do tradicional candomblé de Santo Amaro, ecoou no ensaio como memória viva. A comissão de frente, coordenada por Jorge Teixeira e Saulo Finelon, combinou movimentos de grande impacto visual com dinamicidade e precisão, ocupando a avenida com autoridade e força estética. Os figurinos, em tons terrosos e estampas que evocam a herança africana, reforçaram o conceito central da apresentação.

O casal Claudinho e Selminha Sorriso — presença veterana e respeitada — ofereceu uma performance madura e segura. A representação de Selminha em Iemanjá no trecho que invoca a orixá, com Claudinho reverenciando cada gesto, trouxe equilíbrio entre a tradição ritualística e a dança de cortejo, incluindo momentos de leveza e vigor técnico em sintonia com as nuances do samba.

A harmonia foi um capítulo à parte. A comunidade nilopolitana cantou com força e entrega durante todo o percurso, consolidando a marca histórica da escola como uma das mais uníssonas da Sapucaí. O ponto alto veio no paradão, quando o conjunto sustentou o samba somente com as vozes dos componentes — um momento de libertação coletiva e de demonstração de pertencimento profundo à obra apresentada.

A evolução da escola foi segura e impactante, com alas bem alinhadas e componentes atravessando a avenida com energia contagiante. E a bateria, sob o comando de mestres Plínio e Rodney, reforçou a mensagem do enredo com bossas que remeteram ao toque dos atabaques, traduzindo ritmo e ancestralidade em solo e pulsação.

Ao final, restou a sensação de que a Beija-Flor se apresentou não apenas como concorrente, mas como protagonista — pronta para levar sua história para o desfile oficial, com força total, identidade cultural e a ambição declarada de conquistar o bicampeonato.