Samba Com Raiz, Alma e Resistência
Os componentes do Tuiuti traduzem identidade preta em canto, história e sentimento para a avenida
No coração do ensaio técnico da Paraíso do Tuiuti para o Carnaval 2026, houve um momento em que a voz da própria escola falou mais alto do que qualquer estratégia de palco: o canto coletivo dos seus componentes. Eles repetiram, com convicção e emoção, uma ideia que a escola vem transformando em prática ao longo dos últimos carnavais: que o Tuiuti é, de fato, o Quilombo do Samba — um espaço de presença preta, ancestralidade viva e resistência cultural.
Para muitos desfilantes, essa afirmação não se restringe ao enredo em si, mas está entranhada na própria forma como a escola opera. Alguns destacam que a Tuiuti abriga um número expressivo de componentes pretos em segmentos essenciais — na bateria, nos tambores, nos ensaios e na forma como a comunidade se organiza. Essa presença constante e visível é, para eles, parte real do que significa ser Quilombo no contexto do samba-enredo.
O canto coletivo ganhou outro significado quando a comunidade entendeu a obra que seria traduzida na avenida. Apesar de algumas críticas iniciais, muitos admitiram que, depois que a mensagem do samba foi explicada, a emoção tomou conta: a letra, cheia de referências à ancestralidade e à trajetória preta, virou lágrima, vibração e canto junto. Isso mostrou que o samba de Tuiuti tem mais impacto quando ressoa na alma de quem canta do que quando se lê de fora.
Os tambores, para muitos percussionistas, são extensão do corpo e do espírito. Um percussionista afirmou que, ao desfilar um enredo afro, a sensação é diferente de tudo — porque cada toque carrega descendência, cor e pertencimento. Para ele, não é apenas uma apresentação: é colocar para fora aquilo que está dentro há gerações.
Outros componentes ressaltaram a importância da representação preta em papéis de destaque dentro da escola. Exemplos citados foram jovens que vêm ganhando espaço e visibilidade em alas importantes e que agora se destacam por mérito e identidade. Para eles, isso não é detalhe: é prática que sustenta a ideia de quilombo como espaço de potência cultural, referência e resistência.
No fim das contas, o que ficou evidente no ensaio técnico foi que a Tuiuti não canta apenas palavras. Ela canta história, memória e afirmação. O samba que sobe na avenida não é apenas ritmo e melodia — é extensão de cultura, legado e voz que pulsa no peito, no tambor e no coração de cada componente.

