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Darcy Ribeiro vira utopia no enredo da União de Maricá para 2027

A União de Maricá já tem seu caminho pronto para o Carnaval 2027. A escola acaba de revelar oficialmente o enredo que vai levar para a avenida, e ele é tão denso quanto poético: “Utopia Brasil: Darcy Ribeiro”, assinado pelo carnavalesco Edson Pereira, que promete mergulhar fundo na vida de um dos pensadores mais importantes que o país já teve.

O projeto segue a ideia das mudas de pele que marcaram a vida de Darcy, aquele conceito que o próprio intelectual usava para falar sobre suas transformações. Pesquisa antropológica, luta pela educação pública, amor pela cultura popular e pelos povos originários: tudo está lá, tecido numa narrativa que vê Darcy como alguém que se refez várias vezes na busca de fazer o Brasil que ele sonhava.

O enredo começa em Montes Claros, Minas Gerais, e passa pela medicina em Belo Horizonte, pela antropologia em São Paulo, pela vivência junto aos povos indígenas na floresta, pela criação do Museu do Índio e do Parque do Xingu. Depois vem a educação, bandeira que ele abraçou com tudo que tinha, junto a mestres como Anísio Teixeira, e culmina na Universidade de Brasília, obra que ele considerava sua filha.

Na reta final da vida, Darcy ainda foi eleito imortal da Academia Brasileira de Letras e escreveu “O povo brasileiro”, livro que ele considerava o desafio maior da sua existência. Nele, definiu de forma crua e sem piedade quem somos: um povo novo, moído na violência da colonização, mas que ainda guarda a aposta teimosa no que pode vir a ser.

O texto do enredo, construído por Washington Quaquá, Mauro Cordeiro e toda uma equipe de criação, não embeleza a ferida da formação brasileira, mas a nomeia com coragem. E faz questão de lembrar que a utopia que Darcy sonhou não morreu com ele, porque utopias não morrem com os homens que as sonham. Agora ela habita em todos nós.