Grande Rio avança em 2027 com a epopeia dos retornados de Gana
A Grande Rio acabou de revelar o enredo que vai carregar para a Sapucaí em 2027, e promete ser uma aula de história, ancestralidade e resistência. O título é longo, mas carregado de significado: “Sankofa Tabon, Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade”. A escola propõe uma viagem profunda pelos passos de africanos libertos que retornaram a Gana, atual Costa do Ouro, preservando suas raízes culturais e espirituais como tesouro vivo.
Tudo saiu do trabalho do carnavalesco Antônio Gonzaga, que desenvolveu o conceito junto com pesquisa e texto assinados por Gonzaga e Jader Moraes. A sinopse é bem mais que um documento: é um poema narrativo que começa com a voz de quem retorna, contando desde a infância arrancada do continente até o reencontro com a terra ancestral. Ali estão os temas que vão guiar compositores e segmentos da escola: ancestralidade, identidade, resistência e a filosofia africana do Sankofa, aquele pássaro dourado que caminha para frente mas sempre olha para trás, para sua raiz.
A narrativa da sinopse é de tirar o fôlego. Começa com “Eu nasci antes de mim”, mergulhando em memórias de diáspora, passando pelo traumático cruzamento do Atlântico e chegando até a participação em revoltas na Bahia, como o Levante Malê. Depois vem o encontro. A Costa do Ouro não é só ouro em pó e rios fartos, não. É gente acolhedora, os Akan, os Ashanti com seus mantos coloridos, os Fanti, os Ewe com suas danças sagradas, os Gás. Tudo culmina na formação do povo Tabom, esses brasileiros que viraram africanos novamente, que levaram até lá sua música, suas crenças, seus ritos. E claro, levaram Xangô, orixá da Justiça, que nunca havia sido cultuado naquelas terras antes deles chegarem.
O terceiro ato da sinopse é o sonho. Aquele sonho pan-africano de um continente livre, unido, que não importa as diferenças de língua ou território, remembrando que a raiz é uma só e forte. A estrela negra brilha como símbolo da riqueza e grandeza dos impérios da costa do ouro, apontando para um futuro onde a dignidade roubada será restituída não pela bondade dos opressores, mas pela força das ideias, memória e luta.
Pra quem quer mergulhar fundo nessa história antes do Carnaval chegar, a Grande Rio fez questão de indicar as referências: tem documentários no YouTube, dissertações, livros sobre os retornados. A escola trabalhou com a Embaixada do Brasil em Gana e recebeu apoio de lideranças locais de Accra. Ou seja, essa sinopse não saiu da cabeça não, saiu do encontro real com quem vive e mantém essa memória viva.

