Beija-Flor aposta em Dona Zeneida para acirrar a briga dos sambas
A Beija-Flor chega para 2027 com um enredo que respira identidade. A história de Dona Zeneida Lima, última pajé da Ilha de Marajó, é aquela que a escola conhece bem: fala de luta, educação, reparação histórica e protagonismo feminino. Para Almir Reis, presidente da agremiação, tudo ali tem a cara da azul e branco de Nilópolis. E isso, segundo ele, é garantia de que os compositores vão entregar grandes sambas. A trajetória de Zeneida, marcada pela defesa da natureza, do combate ao preconceito e do resgate das mulheres indígenas, oferece o terreno perfeito para uma disputa acirrada nos ensaios.
O diretor de carnaval Marco Marino segue na mesma sintonia. Para ele, os compositores da Beija-Flor têm um jeito próprio de fazer samba-enredo, uma cultura que nunca deixou a escola na mão. O grande trunfo dessa vez é dar liberdade criativa mesmo dentro do enredo. Marino defende que cada compositor precisa sentir livre para escolher sua melodia, seu tom, sua abordagem, seja descritiva ou poética. A única mudança prática é que a escolha do samba acontece mais cedo, no dia 10 de setembro, com duas semanas a menos de preparação em relação a 2026. Mas isso não intimida. Tudo indica que os compositores nilopolitanos vão fazer jus à história rica que têm nas mãos.

