SÉRIE OURO

Unidos de Bangu escolhe Marquinho PQD e promete celebrar a obra viva do compositor

A Unidos de Bangu já sabe o caminho que vai percorrer na Marquês de Sapucaí em 2027. A escola escolheu homenagear Marquinho PQD, um dos compositores mais prolíficos do samba carioca, com o enredo “A Outra Ceia”. Os carnavalescos Ariel Pontes e Ester Domingos vão colocar em alas e fantasias uma proposta bem particular: ao invés de começar pela história de vida do sambista, o desfile nasce direto de uma das suas composições, a música que dá nome ao enredo, feita em parceria com Carlito Cavalcante e André Renato.

A ideia é celebrar Marquinho justamente por onde sua presença não morre: nos versos que deixou. Segundo os carnavalescos, é ali, nas canções, que o legado do compositor fica vivo e pulsante. Faz sentido quando a gente pensa em números: Marquinho assinou mais de 400 sambas ao longo da carreira, com cerca de 100 deles ao lado de Arlindo Cruz, seu maior parceiro musical.

Natural de Realengo, Marcos de Souza Nunes nasceu em 1º de janeiro de 1959 e começou sua trajetória na música em 1983, quando “Fases do Amor” foi gravada pelo Fundo de Quintal. No ano seguinte, Beth Carvalho interpretou “Coração Feliz”, composição que deu nome ao álbum da Madrinha do Samba e consolidou o nome de Marquinho entre os sambistas. A partir daí, suas músicas passaram por vozes de peso como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Alcione, Jovelina Pérola Negra e Exaltasamba.

O apelido PQD vem de longe: Marquinho o adotou nos anos 1990, em referência ao período em que serviu ao Exército como paraquedista. No Carnaval, também assinou sambas da Mocidade Independente de Padre Miguel nos desfiles de 1995 e 2000. Entre suas composições mais conhecidas estão “Só no Sapatinho”, “A Sete Chaves” (com Franco), “Tanto Amor Pra Dar” e “Volta de Vez Pra Mim” (com Délcio Luiz).

A Unidos de Bangu chega a 2027 depois de um 2026 dedicado à cantora Leci Brandão. A escola desfilará na sexta-feira, 5 de fevereiro, como oitava e última escola da noite.