Sapucaí mais distante: o nó na venda de ingressos que revoltou os foliões
Quem tentou garantir um lugar na Marquês de Sapucaí para os desfiles do Grupo Especial de 2027 viveu uma verdadeira maratona de frustração. A abertura das vendas gerais, que começou no dia 10 de agosto, virou assunto sério e gerou revolta entre os apaixonados pelo Carnaval carioca. O que deveria ser o passaporte para a maior festa do planeta se transformou em dor de cabeça, com milhares de foliões relatando problemas graves logo nos primeiros minutos de operação da plataforma Ticketmaster.
O principal alvo das reclamações foi a instabilidade do sistema de bilhetagem. Muita gente viu os ingressos sumirem do carrinho de compras antes mesmo de conseguir preencher os dados de pagamento, sendo arremessada de volta para o fim da fila virtual. Mesmo com tantos travamentos e reclamações nas redes sociais, as entradas se esgotaram em tempo recorde na mesma noite de segunda-feira, deixando a comunidade do samba de mãos abanando.
A indignação aumentou ainda mais quando os bilhetes começaram a aparecer em sites de revenda não oficiais por até três vezes o valor original, que era de 250 reais a inteira e 125 reais a meia-entrada. A facilidade com que os cambistas digitais conseguiram burlar o sistema e comercializar inclusive meias-entradas, que por lei são pessoais e intransferíveis, acendeu o alerta sobre a elitização do espetáculo. O sentimento geral é de que o público tradicional, que vive as escolas de samba o ano inteiro, está sendo excluído da festa para dar lugar a turistas de alto poder aquisitivo e especuladores.
Diante do barulho e da enxurrada de críticas, a Liga Independente das Escolas de Samba, a Liesa, se posicionou oficialmente. A entidade cobrou da Ticketmaster um relatório detalhado sobre o comportamento da plataforma durante as vendas. Além disso, a Liesa prometeu analisar de perto os limites de compra por CPF e a segurança das entradas nominais para entender como os cambistas agiram tão rápido. O folião carioca agora espera por respostas concretas e, acima de tudo, por mais respeito com quem faz o Carnaval acontecer.

