Leandro Vieira provoca: carnaval é cultura o ano todo, não só festa
O carnaval não é só aquele fim de semana de adrenalina e fantasia. Essa foi a tese que o carnavalesco Leandro Vieira trouxe para a mesa “Carnaval: economia criativa e projeto de cidades” no Desenrolando a Serpentina, realizado no MAM Rio no último sábado. Para ele, a gente precisa parar de ver as escolas de samba como um evento concentrado em cinco dias e começar a reconhecê-las como cultura permanente, que movimenta criação o ano inteiro nos barracões, nos ensaios, nas composições de samba-enredo e nas apresentações musicais das baterias. “Se o carnaval for apenas uma festa, ele fica restrito aos cinco dias de celebração. Mas se você defende ele dentro da lógica da cultura, percebe que tem importância durante todo o ano”, argumentou. Isso muda tudo na hora de pensar políticas públicas e financiamento para as agremiações.
O que Leandro também colocou em xeque foi a falta de letramento social e racial entre dirigentes para entender o papel das escolas de samba nas periferias. Essas instituições funcionam como polos culturais em comunidades que não têm cinema, teatro ou equipamentos de cultura. A discussão reuniu também representantes do Ministério da Cultura, da Prefeitura do Rio e especialistas em acessibilidade, todos alinhados na ideia de que o carnaval precisa virar projeto de cidade permanente, com financiamento público, preservação de memória e inclusão. Encontros como esse, longe dos dias de desfile, abrem espaço para provocações que podem germinar em mudanças reais nas políticas culturais.

