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A Estrela Guia aprende a ser grande de novo na rua

Um ensaio que revela coesão, ajustes conscientes e a força coletiva como aposta para 2026

O último ensaio de rua do ano da Mocidade, na Ary Franco, foi um retrato de evolução construída com método. A escola atravessou a noite com organização visível, daquelas que se percebem antes mesmo do samba ganhar corpo: posições mais claras, deslocamentos mais controlados, diretores atentos ao que poderia quebrar o fluxo e, sobretudo, um senso de conjunto que aponta para uma aposta assumida na ação coletiva. Foi um treino com cara de termômetro, com público numeroso e até peso institucional na presença de quem acompanha de perto a temporada.

A comissão de frente escolheu instigar em vez de revelar de imediato. Capas pretas criaram uma entrada enigmática e deram ao pano um papel central, como se a coreografia tivesse um texto próprio tecido no ar. A execução foi limpa, com leitura clara de gestos e uma proposta menos rebuscada, porém bem ensaiada, que conversa com o universo musical e cênico do projeto de 2026, sem perder a identidade da escola.

O primeiro casal, Diogo e Bruna, demonstrou experiência e entrosamento, com firmeza e domínio na apresentação para a simulação de cabine. A dança não foi apenas correta; foi vibrante. A comunicação com o público funcionou como motor emocional, devolvendo energia ao pavilhão e transformando um trecho técnico em momento de impacto, daqueles que sinalizam confiança.

A harmonia exibiu potência de comunidade e boa aceitação do samba, com o povo cantando junto, ainda que com variações de volume e intensidade entre alas. Igor Vianna conduziu com consistência, segurando o ritmo nos pontos em que o canto variava, e deixando claro um comando musical que dá sustentação para o crescimento do conjunto. Na evolução, o desenho geral foi positivo: sem buracos, dentro do tempo, com pequenos embolamentos causados por diferenças de ritmo entre setores, prontamente contornados, e que entram na categoria de ajustes possíveis, não de alerta.

A bateria “Não Existe Mais Quente” apareceu sincronizada e firme, e a presença carismática da rainha Fabíola de Andrade ajudou a integrar rua e escola, num ensaio em que o espetáculo não se separou da comunidade. O ano termina com a Mocidade mostrando que amadurecer, no samba, é aprender a repetir com qualidade e ajustar com serenidade. A base está feita. Agora é lapidar para chegar inteiro.