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Portela molhada de chuva e carregada de axé: a Águia abre 2026 voando alto

Na Estrada do Portela, o “primeiro teste do ano” vira celebração, com canto avassalador, evolução fluida e o samba ganhando ainda mais corpo

A Portela abriu a temporada de ensaios de rua de 2026 do jeito que a comunidade gosta: com a rua cheia, o astral lá em cima e a sensação de que a escola segue em crescente. A chuva fraca apareceu como ingrediente inesperado, mas longe de atrapalhar, pareceu lavar a alma do portelense e temperar o ensaio com ainda mais emoção. A azul e branco mostrou uma agremiação renovada, confiante e com fome de grande desfile no domingo de Carnaval, quando levará à Sapucaí o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A Oração do Negrinho e a Ressurreição de sua Coroa sob o Céu Aberto do Rio Grande”, desenvolvido por André Rodrigues.

O primeiro casal, Marlon e Squel, entrou energizado, embalado por aplausos e com apresentação solta, ampla e vibrante. Squel aproveitou o espaço com giros de impacto, e, mesmo com um pequeno desencontro rapidamente corrigido, o conjunto manteve precisão e presença, com Marlon crescendo especialmente no refrão principal. A evolução confirmou a boa fase: fluidez, ritmo constante, alas compactadas e equilíbrio entre empolgação e técnica, com exceção natural dos passistas, que desfilam mais soltos. Nem a pista molhada mudou o desenho do ensaio, que seguiu firme até o fim, fechado com show da bateria de mestre Vitinho.

No canto, a Portela voltou a ser avassaladora. A comunidade cantou em uníssono, como louvação, com empolgação e espontaneidade, e até alas que costumam oscilar vieram fortes. O samba, bonito, envolvente e extremamente funcional, sustenta essa entrega e cresce a cada ensaio, especialmente no refrão central que já virou ponto de explosão coletiva. Zé Paulo domina as variações melódicas e conduz com segurança, lendo a rua e colocando gás quando sente que precisa, sem depender de roteiro. É o tipo de comando que transforma ensaio em acontecimento.

Entre os destaques, a bateria levantou a Estrada com bossas coreografadas e abriu caminho para Bianca Monteiro brilhar com carisma e samba no pé. O segundo casal, Vinícius Jesus e Thainá Teixeira, também mostrou talento e sincronia, reforçando o nível alto do quesito. No saldo final, a mensagem é clara: a Portela começa 2026 com identidade, força comunitária e um canto que já parece de Sapucaí.