O Espetáculo Também É Planejamento
Com novas exigências e liberação condicionada à vistoria final, os camarotes entram no Carnaval 2026 sob regra e responsabilidade
Carnaval é multidão, é emoção e é estrutura temporária levantada contra o relógio. Por isso, quando o Estado apresenta um plano específico de prevenção contra incêndio para os camarotes, não está falando de burocracia: está falando do que sustenta a festa. A proposta coloca a segurança como prioridade absoluta e reforça que a Sapucaí não pode depender de soluções tardias, especialmente num cenário em que muitas montagens são concluídas muito perto da abertura oficial.
O plano organiza o processo como uma linha de chegada técnica. A liberação para funcionamento só acontece depois do cumprimento integral de exigências e da vistoria final do Corpo de Bombeiros, que passa a avaliar o funcionamento real dos sistemas de prevenção e, principalmente, a condição das rotas de fuga. Em uma avenida que respira pelo movimento, saída desobstruída vira fundamento. E há um recado ainda mais duro para quem tenta driblar o padrão: se não atender, pode haver interdição pontual de áreas específicas até que tudo seja ajustado, preservando apenas o que estiver regular.
Entre os pontos de maior impacto está a exigência de bombeiro profissional civil durante todo o período de funcionamento em camarotes acima de 200 metros quadrados, contratado por empresa cadastrada. O plano também reforça a obrigatoriedade de itens preventivos essenciais, como extintores, sinalização e iluminação de emergência, construindo uma malha de proteção que precisa existir antes do brilho das luzes.
Ao lado da prevenção clássica, entram mecanismos de controle que traduzem um novo tempo. Catracas integradas a sistemas informatizados passam a ser parte do desenho de acesso, ajudando a gerir público com mais precisão, enquanto itens de proteção coletiva, como guarda-corpos, recebem reforço para reduzir riscos nas áreas elevadas. A segurança, aqui, não é só “contra incêndio”: é contra qualquer falha que transforme euforia em vulnerabilidade.
E, no fim, tudo volta ao critério técnico. A documentação exigida passa por responsáveis legais, comprovação de posse ou uso, registros técnicos de estruturas e instalações, além de plantas e laudos específicos, incluindo gás e tratamento de materiais. A capacidade máxima de cada camarote é calculada com base em área útil e saídas de emergência, porque multidão não pode ser aposta: precisa ser número certo, dentro de um projeto que pense no depois do susto antes mesmo do susto existir.

