Corpo, Ritual e Memória Viva
Uma comissão de frente que encarna o enredo e propõe uma experiência sensorial para o público da Sapucaí
Para o Carnaval 2026, a Vila Isabel preparou sua comissão de frente com o claro objetivo de comunicar mais do que técnica: comunicar sentido. No centro da estratégia está a proposta de integrar o corpo, a ancestralidade e o espetáculo de forma que o público da Sapucaí viva a ideia de que samba e macumba compartilham origem, força, história e pulsação. O enredo homenageia o multiartista Heitor dos Prazeres — figura que simboliza arte negra e cotidiano carioca — e a coreografia da comissão foi pensada como uma forma de tradução dessa narrativa para o espaço da avenida.
Os coreógrafos que assinam essa comissão, Alex Neoral e Márcio Jahú, trouxeram para o projeto não apenas sua experiência técnica, mas também uma sintonia profunda com o espírito do enredo. Eles têm mais de duas décadas de trabalho com dança e afirmam sentir que este projeto é uma extensão de suas próprias visões artísticas. A confiança ampliada da escola permitiu que ousassem mais na linguagem e na forma de ocupar a pista, transformando a comissão em algo que não só abre o desfile, mas também contextualiza o que virá em seguida.
A aposta na chamada “cabine espelhada” é parte dessa visão: ao liberar visões de todos os ângulos, a apresentação se torna mais democrática, menos frontal e mais envolvente. A comissão deixa de ser um quadro estático a ser visto de um lado só e se converte em gesto coletivo, ritualístico e circular, em que cada movimento pode ser interpretado de diferentes perspectivas, e cada público pode sentir a batida do samba e da ancestralidade como parte de sua própria experiência.
No fim, a proposta é oferecer uma abertura teatral e sensorial do desfile que refletem o coração do enredo e a identidade da Vila Isabel: memória, resistência, ancestralidade e arte do povo.

