Pérola Negra volta ao Anhembi para contar a história de quem inspirou seu nome
A Pérola Negra está de volta ao Sambódromo do Anhembi em 2027 com um enredo que é também um ato de amor. Depois de sete anos longe do Grupo Especial paulistano, a escola da Vila Madalena volta com tudo para contar a história de Jovelina Pérola Negra, a mulher que deu origem ao seu nome. “Sem Vacilar, Sem Me Exibir… Sou Jovelina, a Pérola Negra” é o tema desenvolvido pelo carnavalesco André Machado, que retorna à escola para seu segundo carnaval nesta segunda passagem.
Jovelina Farias Belfort nasceu em Botafogo em 1944 e se tornou um símbolo do pioneirismo feminino nas rodas de samba carioca. Antes de virar cantora, trabalhou como empregada doméstica enquanto frequentava as rodas da Zona Norte e Baixada Fluminense. Foi em uma delas que recebeu sua primeira oportunidade nos palcos e logo se destacou pela voz potente que a marcaria para sempre.
Num cenário do pagode carioca dominado por homens, Jovelina abriu caminhos. Enquanto nomes como Almir Guineto, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão ganhavam destaque, ela conquistava seu espaço nas rodas. Em 1985, estreou no disco coletivo “Raça Brasileira” ao lado de Zeca Pagodinho e outros artistas. No ano seguinte, os dois lançaram seus primeiros discos solo e o sucesso veio rápido.
Em apenas doze anos de carreira, Jovelina gravou sambas que viram clássicos das rodas até hoje: “Feirinha da Pavuna”, “Bagaço da Laranja”, “Luz do Repente” e “Sorriso Aberto”. Muita gente canta essas músicas sem saber que ela foi a autora e a intérprete que as criou. O apelido “Pérola Negra” não era à toa, representava a raridade de sua voz e seu talento singular nas rodas de samba, aquele brilho e força que suas origens carregavam.
Jovelina também foi integrante da ala das baianas do Império Serrano, sua escola do coração. Morreu em 1998, vítima de um infarto enquanto dormia em casa, no Pechinha, em Jacarepaguá. Tinha apenas 54 anos e deixou um legado que ainda ecoa nas rodas de samba pelo Brasil.
Em 2027, a Pérola Negra terá a honra de abrir os desfiles do Grupo Especial de São Paulo. É o retorno certo de uma escola que no último carnaval já tinha mostrado força, ficando com a vice-campeã do Grupo de Acesso I com 269,4 pontos.

