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O poder do xequerê: instrumento vira febre feminina no Multibloco

O que acontece quando 50 mulheres decidem aprender a tocar xequerê juntas? No Multibloco, a resposta já começou a aparecer antes mesmo do Carnaval 2027: as primeiras 50 vagas para o naipe foram preenchidas rapidamente e a procura levou à abertura de uma turma extra.

Criado em 2008, o Multibloco completa 18 anos em 2026 e mantém uma programação que ocupa diferentes pontos do Rio de Janeiro durante o Carnaval. O bloco desfila na Lapa, na manhã do sábado de Carnaval, e também na Praia de Piratininga, na manhã da Quarta-feira de Cinzas.

A formação do xequerê, que será a maior da história do bloco, também chama atenção por outro detalhe: todas as integrantes são mulheres. E, para a maioria delas, o instrumento representa um primeiro contato com a percussão.

Tradicionalmente associado ao universo da música afro-brasileira e presente em diferentes manifestações musicais, o xequerê tem uma característica que o torna especialmente marcante no Carnaval: ele une som e movimento. Quando dezenas de pessoas tocam simultaneamente, o resultado ganha força sonora, visual e corporal.

No Multibloco, essa combinação parece ter conquistado as novas integrantes. Algumas já tinham contato com outros instrumentos, enquanto muitas estão começando agora. A proposta é justamente criar um caminho para quem quer aprender percussão, desenvolver-se musicalmente em grupo e chegar ao Carnaval fazendo parte de uma grande bateria.

Para a maestrina Thaís Bezerra, que toca xequerê em blocos do Carnaval de rua carioca desde 1998, o crescimento da formação revela uma mudança maior.

“Mais do que as vagas esgotadas, o que chama atenção é a dimensão que o xequerê ganhou dentro do Multibloco e do Carnaval Carioca. São 50 mulheres tocando juntas e ainda tivemos procura suficiente para abrir uma nova turma. Isso mostra a força que esse naipe conquistou e também um movimento muito importante de mulheres chegando à percussão, se desenvolvendo musicalmente e ocupando cada vez mais espaços de protagonismo e liderança nas baterias do Carnaval carioca.”

A relação de Thaís com o instrumento também passa por uma das maiores escolas de samba do Rio. Ela integrou a ala de xequerê da Estação Primeira de Mangueira em 2013 e retornou ao instrumento na escola em 2023. Atualmente, a ala reúne cerca de 20 mulheres.

No Multibloco, a presença feminina no xequerê vem sendo construída ao longo dos anos. A convivência entre percussionistas e a criação de referências femininas ajudam a aproximar novas integrantes do instrumento, especialmente aquelas que nunca haviam se imaginado dentro de uma bateria.

Agora, a expectativa é levar essa formação para a rua no Carnaval 2027. Serão dezenas de xequerês tocados simultaneamente por mulheres que, em muitos casos, descobriram o instrumento há pouco tempo.

E se o número de 50 já chama atenção, a turma extra aberta após o esgotamento das vagas mostra que esse pode ser apenas o começo.

O poder do xequerê: instrumento vira febre feminina no Multibloco
O poder do xequerê: instrumento vira febre feminina no Multibloco