Serrinha sem mordaça: Império Serrano celebra 80 anos com enredo revolucionário
O Império Serrano já nasceu com a democracia correndo em suas veias lá no Morro da Serrinha, em Madureira. Fundada em março de 1947 após uma dissidência no Prazer da Serrinha motivada por posturas autoritárias da antiga diretoria, a escola de samba sempre fez da liberdade sua bandeira principal, inclusive proibindo patronos em seu estatuto. Para celebrar suas oito décadas de história no Carnaval de 2027, o Reizinho de Madureira vai levar para a Marquês de Sapucaí um enredo com forte teor social e político, resgatando essa tradição de peito aberto e sem medo de colocar o dedo na ferida.
Com o título Seja marginal, seja herói: a revolução em sua legítima razão, o desfile assinado pelo carnavalesco Renato Esteves e pelos enredistas Emanuelle Rosa e Jorge Sant’Anna vai usar a arte como escudo e arma contra movimentos antidemocráticos. A inspiração direta vem do clássico poema de Hélio Oiticica e também do histórico desfile de 1969, Heróis da Liberdade, quando a agremiação desafiou a ditadura militar em pleno funcionamento. A apresentação ainda vai homenagear os 90 anos da União Nacional dos Estudantes, a UNE, outra grande parceira histórica na resistência cultural do país.
A proposta da verde e branco é mostrar que o samba e a contracultura caminham lado a lado, usando a leveza e a poesia para passar mensagens que discursos formais não conseguem alcançar. Segundo o carnavalesco Renato Esteves, o grande desafio do projeto é costurar tantas manifestações artísticas e personagens em uma narrativa linear e emocionante, sem parecer uma mera lista de obras de arte. O Império Serrano será a sexta escola a cruzar a avenida no sábado de Carnaval, dia 6 de fevereiro de 2027, disputando o título da Série Ouro com a força de sua comunidade.

