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O som do Carnaval 2026 não nasce pronto: nasce lapidado

Gabriel David trata a implantação como processo longo, sério e coletivo, com a festa no centro da decisão

Existe um tipo de mudança que provoca expectativa e também apreensão — porque mexe com o que dá base ao espetáculo. O novo sistema de som para 2026 entra exatamente nesse lugar: a promessa de evolução vem acompanhada do peso da responsabilidade, e a forma como o tema vem sendo conduzido deixa claro que não se trata de aventura tecnológica. Trata-se de um processo em evolução, com testes, ajustes e uma atenção quase cirúrgica ao que realmente importa: o resultado na avenida.

O retorno inicial de quem vive o Carnaval por dentro trouxe elogios, especialmente dos artistas, mas a condução do processo não se apoia em euforia. A leitura é madura: ainda é cedo, ainda há muito trabalho, ainda há um caminho doloroso e complexo pela frente. Porque não é só som. É fluxo, é operação, é entendimento de funcionamento, é integração entre equipes, é mudança de cultura de execução.

A aposta está na participação direta de quem faz o desfile acontecer. O Carnaval tem uma inteligência coletiva própria, e a implantação do novo sistema parece respeitar isso ao máximo: diálogo constante, escuta ativa, presença de músicos e profissionais das escolas no centro das decisões. É como se a festa estivesse sendo reconfigurada sem perder o seu espírito, justamente porque quem segura o microfone e quem segura o tambor também segura a conversa.

O horizonte é claro: chegar aos desfiles oficiais com o sistema plenamente ajustado e entregar uma experiência de altíssima qualidade sonora, com mais nitidez, mais equilíbrio e mais potência. O caminho, porém, é de evolução constante. E, nesse tipo de mudança, a pressa é inimiga do Carnaval.