CARNAVAL 2026DESTAQUESGRUPO ESPECIALHOT

Vermelho e Branco Em Crescente

Um ensaio de corpo inteiro confirma: o Salgueiro chega forte, solto e com a comunidade cantando como protagonista

O Salgueiro vive um tipo de crescimento que não grita para aparecer, mas se impõe porque é consistente. O ensaio de rua trouxe o retrato de uma escola que entra na reta final de preparação com atributos claros e bem distribuídos: técnica em quesitos nobres, comunidade vibrante, e um samba que funciona com fluidez e verdade. Há um conforto musical que transforma a obra em terreno fértil para a escola desfilar com prazer, e quando isso acontece, a harmonia deixa de ser esforço e vira consequência.

O casal, mais uma vez, foi daqueles momentos que parecem colocar a avenida em ordem. Sidclei e Marcella dançaram com elegância e segurança, com uma naturalidade que nasce do entendimento fino entre os dois. O bailado de Sidclei apareceu ágil e técnico, e Marcella sustentou giros com controle corporal absoluto, construindo uma progressão que dá sensação de domínio, não de risco. No refrão principal, o conjunto dos giros fechou a apresentação com impacto e classe, deixando no ar aquela certeza de que o Salgueiro tem um pavilhão bem guardado e bem apresentado.

A evolução trouxe o lado mais gostoso da escola: a capacidade de transformar pista em festa sem perder a lógica do desfile. O Salgueiro ocupou espaço, trabalhou lateralidade, usou o corpo inteiro, brincou com trocas de posição e seguiu com uma animação que contagia. Houve uma aceleração pontual nas primeiras alas, rapidamente corrigida pelo fluxo do conjunto, e isso só reforçou a impressão de que a escola está atenta ao próprio andamento. A reta final, então, foi o tipo de fechamento que fica na memória: preenchimento forte, energia em alta e uma sensação de explosão coletiva, como se as últimas alas levassem a rua inteira junto.

O ponto mais emocionante, porém, foi o canto. A comunidade cantou com potência e constância, e o samba pareceu pertencer ao componente de um jeito definitivo. Os refrões passaram com força, e a obra mostrou um equilíbrio raro entre poesia e rendimento, descrevendo o universo que a escola pretende contar sem perder a pegada carnavalesca. Houve um trecho que virou ápice: o pré-refrão foi cantado com intensidade máxima, repetido com vontade em todas as passadas, e ganhou ainda mais destaque quando a bateria parou e a voz do povo ocupou tudo, como se a escola inteira virasse um só pulmão.

Na parte rítmica, a bateria confirmou fase segura e ascendente. Convenções e arranjos vêm se encaixando com mais precisão, e o ensaio trouxe aquela sensação de “virada de chave” que se percebe quando o ritmo começa a sair cravado e com confiança. O trabalho é intenso, com agenda pesada e exigência constante, e a própria rua funciona como teste real, com suas dificuldades e seus limites, fortalecendo a escola para quando chegar o cenário mais confortável do desfile. Entre musas em boa forma, passistas cantando forte e um conjunto que cresce semana após semana, o Salgueiro deixa um recado simples e poderoso: chega muito forte para fechar o Carnaval com a grandeza que sua história exige.