Alegria de Copacabana apresenta enredo sobre Falangeiros de Ogum para 2027
Mesmo sem data definida para o desfile oficial na Intendente Magalhães, a Alegria de Copacabana, escola membro da Série Bronze da Superliga Carnavalesca do Brasil, deu início aos preparativos para o Carnaval 2027 e divulgou a sinopse do enredo “Falangeiros de Ogum, O Exército da paz”.
Desenvolvido pelo carnavalesco Andrey Quirino, o enredo levará para a avenida uma narrativa de fé, proteção e espiritualidade, exaltando os falangeiros de Ogum como símbolos de coragem, resistência e paz. O texto e a pesquisa da sinopse são de autoria do músico, cantor e diretor cultural da agremiação, Braguinha.
FALANGEIROS DE OGUM, O EXÉRCITO DA PAZ
Os clarins ecoam pelos caminhos da fé. As bandeiras se levantam. Os soldados da anunciação tomam a avenida e anunciam a chegada do grande General da Umbanda. Os caminhos se abrem. Chegam os donos das passagens, os guardiões das encruzilhadas, conduzindo a marcha do Exército da Paz.
As mães do axé sustentam a ancestralidade, guardam os fundamentos e mantêm viva a chama que atravessa gerações. Das folhas sagradas nasce a proteção. Das ervas vem a cura. Da terra brota a força que alimenta os guerreiros.
Mas diante da luz também surgem as sombras. Ergue-se o Dragão da Maldade. Ele não possui um único rosto. É feito da intolerância, do preconceito, do racismo religioso, da perseguição e das dores carregadas pelo povo de fé. Então os falangeiros avançam.
Chega Ogum Iara, trazendo a força das águas e os mistérios da renovação. Vem Ogum Beira-Mar, guardião das praias e das marés, guerreiro que caminha entre o oceano e a fé do povo. Ergue sua espada Ogum Sete Espadas, defensor dos filhos de Umbanda e sentinela das batalhas espirituais.
Das matas surge Ogum Rompe-Mato, abrindo trilhas, rompendo demandas e vencendo obstáculos. Das ondas chega Ogum Sete Ondas, trazendo movimento, equilíbrio e transformação. Avançam também os guerreiros da lei.
Vem Ogun de Lei, sustentando justiça e proteção. Marcha Ogun Naruê, fortalecendo o exército da fé. Desperta Ogun Matinata, guardião das alvoradas e dos novos caminhos. Surge Ogun Megê, senhor dos mistérios e das transformações.
Todos marcham sob o mesmo estandarte. São os Falangeiros de Ogum. Guerreiros da fé. Guardiões do axé. Soldados do Exército da Paz.
O vermelho veste a avenida. O tambor fala. Os curimbeiros anunciam a batalha. A vitória já pulsa no coração do povo.
A fé permanece de pé. As oferendas são erguidas. As luzes se acendem. As falanges se multiplicam. O exército cresce. Não para destruir. Não para conquistar. Mas para proteger. São guerreiros da lei. Sentinelas dos caminhos. Guardiões do axé.
Filhos de Ogum reunidos em defesa da paz. A memória caminha ao lado dos mais velhos. A tradição marcha junto com os novos. O passado entrega sua espada ao futuro.
E então a guerra termina. Ogum vence. Mas sua vitória não é sobre pessoas. É sobre o ódio. Sobre a intolerância. Sobre tudo aquilo que tenta separar a humanidade.
A avenida se transforma. O campo de batalha vira altar. O terreiro se abre. O Congá ilumina os caminhos. No centro está Ogum, vencedor, guardião e protetor.
Ao seu redor a Umbanda acolhe. Reúne povos. Abraça diferenças. Recebe as muitas cores da humanidade. Ali caminham povos africanos e afro-brasileiros. Povos indígenas. Diferentes etnias. Diferentes crenças. A diversidade humana. Todos sob o mesmo axé. Todos diante do mesmo altar.

