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Viradouro volta ao samba com griôs e ancestralidade em 2027

A Unidos do Viradouro já sabe o caminho que quer seguir para chegar ao bicampeonato consecutivo, feito que a escola ainda não conseguiu conquistar desde que a Imperatriz Leopoldinense fez isso em 2001. O enredo escolhido pela escola tem nome de raiz africana: Griô. E traz consigo toda uma filosofia sobre preservação da memória dos povos.

Quem trabalha essa narrativa são o carnavalesco Tarcísio Zanon e o enredista João Gustavo Melo. Juntos, eles vão levar a agremiação a explorar a figura dos griôs, ou griots, aqueles personagens fundamentais na cultura africana que funcionam como contadores de histórias, guardiões do passado e mensageiros oficiais de seus povos. Tudo transmitido pela oralidade, de boca a ouvido, geração após geração.

Mas aqui vem o paralelo que faz toda a diferença. A Viradouro não escolheu esse enredo por acaso. A escola enxerga as escolas de samba como griôs também, como guardiãs da memória que bordam o passado em seus enredos a cada Carnaval. É tecnologia cultural essencialmente preta, como bem coloca a agremiação, que espalha conhecimento que o Brasil nem sabia que precisava.

A narrativa da vermelha e branca do Barreto vai começar com o mito de Kwaku Ananse, passar pelos antigos clãs Djéli do Império Mali e chegar até as manifestações populares brasileiras e as comunidades das escolas de samba. A própria identidade visual do enredo já traz essa conexão: a logo oficial tem na borda os nomes das doze escolas do Grupo Especial em 2027.

Depois de vencer tudo em 2026 com o enredo Pra Cima, Ciça, em homenagem ao mestre de bateria, a escola soma 270 pontos e retorna confiante. No Carnaval 2027, a Viradouro sobe à avenida na terça-feira, dia 9 de fevereiro, como segunda escola a desfilar.